Com o coração em festa e a alma em atitude de gratidão, elevamos este louvor e agradecimento pelos 15 anos de Ordenação Episcopal de Dom José Carlos Chacorowski, CM, pastor segundo o coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, discípulo apaixonado pela Bem Aventurada Virgem Maria e filho do carisma de São Vicente de Paulo. Nascido em Curitiba, no Paraná, um dia depois do Natal de 1956, Dom José Carlos já chegou ao mundo como quem aprende cedo a esperar: esperar a luz depois da noite, o verbo que se faz carne na simplicidade. Filho de Dona Elza Isabel e do senhor Félix José Chacorowski, é herdeiro de raízes polonesas, cresceu embalado por uma fé discreta, firme e trabalhadora, moldada na casa simples do bairro polonês, onde o amor se dizia mais em gestos do que em palavras.
Ainda menino, aos 11 anos, ouviu o chamado e entrou no Seminário Menor dos Padres Lazaristas, da Congregação da Missão, deixando-se seduzir pelo mesmo fogo que incendiou o coração de São Vicente de Paulo: servir Cristo nos pobres, amar a Igreja a partir das periferias humanas e existenciais. O ano de 1980 brilhou como aurora decisiva: professou os votos, foi ordenado diácono por Dom Pedro Fedalto e, num gesto que uniu a Igreja inteira, foi ordenado sacerdote pelas mãos de São João Paulo II, no Maracanã, que na ocasião se transformou em altar aberto ao mundo. Ali, no meio de milhares de pessoas, seu sacerdócio nasceu com cheiro de multidão e gosto de missão.
Dois anos depois, partiu em missão Ad Gentes, para o Zaire, hoje República Democrática do Congo, no continente Africano. Aprendendo a língua francesa e, sobretudo, a gramática do sofrimento e da esperança incrustada na pele e no sangue negro daquele povo. Mas a malária o trouxe de volta em 1987, mas a doença não lhe roubou o ardor missionário — apenas o aprofundou ainda mais. Entre 1988 e 1996, fez da estrada sua paróquia. Viveu em um Caminhão-Capela, cruzou o Brasil ao menos três vezes, celebrando missas em postos de gasolina, às margens das rodovias, evangelizando caminhoneiros. Ali nasceu o Padre Zé da Estrada, com o Evangelho numa mão e o volante na outra, ensinando que Deus também habita no asfalto quente e no cansaço dos motoristas que trabalham viajando com saudades das suas famílias estampada nos para-brisas. Vieram depois os serviços silenciosos e fecundos: foi Diretor Provincial das Filhas da Caridade, em Curitiba, pároco em Guaraqueçaba, cidade de mar, de rios e de sertões. Foi diretor das Filhas da Caridade, também na Província da Amazônia. Foi de lá que, em 2009, o Papa Bento XVI, o chamou ao episcopado como Bispo Auxiliar de São Luís do Maranhão.
A celebração de consagração ao episcopado se deu em Curitiba, em sua terra natal, ao lado dos pais e irmãos, como quem fecha um ciclo de sangue e abre o ciclo da graça divina. Escolheu como lema episcopal as palavras que resumem sua vida: “EVANGELIZARE PAUPERIBUS MISIT” — “Enviou-me para evangelizar os pobres”. Não se trata de um lema decorativo apenas, mas sim, de um programa de vida, herdado de São Vicente de Paulo e escrito com os pés no chão e as mãos estendidas para a Divina Providência. Em 19 de junho de 2013, o saudoso Papa Francisco o nomeou Bispo Diocesano de Caraguatatuba, tomando posse em 17 de agosto daquele mesmo ano, logo depois da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Dos 15 anos de Episcopado, 12 deles foi vivido em nossa Diocese de Caraguatatuba. Onde atuou com seu cajado, hoje já craquelado da areia das praias, das conchas do oceano e dos musgos da Serra do Mar. Aqui, em nossa diocese, Dom José Carlos fincou raízes e continua a sua missão. Missão essa um dia iniciada por São José de Anchieta. Hoje é dom José que atualiza com seu testemunho os poemas de outrora, dedicados à Virgem Santíssima. Hoje escrito não só em Ubatuba, mas nas praias de nossas quatro cidades diocesanas: Caraguatatuba, Ilhabela, Ubatuba e São Sebastião. Aos poucos seu episcopado foi ganhando as cores do nosso litoral. Atualmente seu anel episcopal, sua mitra e seus paramentos trazem os matizes azuis do céu e do mar e o amarelo esverdeado do amanhecer e entardecer, de um sol que nasce no mar e se põe por de trás das serras cheias de vida e de encantos. Bispo caminhante, traz no corpo os sinais da missão. Seus pés de mensageiro carregam o barro dos sertões, carrega nas mãos as simplicidades dos caraguatás medicinais e a beleza estonteante das orquídeas caiçaras.
Em sua voz ecoam as suas origens. Sua fala traz a ternura e sotaque de Dona Elza, sua mãe, mulher de traços finos da Europa e gestos contidos de uma vida doada totalmente para o esposo e para os filhos. Traz também a firmeza do pai, traduzida nos gestos ministeriais. Foi o pai, o senhor Félix, que lhe inspirou o dom de ser um missionário caminhoneiro e, ao mesmo tempo, o dom carinhoso de cuidar das plantas e das pessoas.
Dom José Carlos, teu episcopado debutou seus primeiros passos nas praias do Nordeste. Mas foi aqui, neste Litoral Norte Paulista, rico de gente de todas as culturas, que firmastes teus passos de bispo titular desta igreja particular.
Hoje, como Igreja viva, proclamamos teu ministério. Somos imensamente agradecidos pelos 15 anos do vosso Episcopado. Hoje fazemos parte do teu Caminhão-Diocese. Continuas a dirigir pelas estradas seguindo as placas do Evangelho de Jesus Cristo.
És sempre cauteloso nos radares da prudência e paciência de pai e de pastor. Somos hoje tua maior experiência missionária. Somos hoje teu campo privilegiado de missão. Que São Vicente de Paulo continue a inspirar teus gestos simples, que o mar renove tua esperança de pescador de almas e que Nosso Senhor Jesus Cristo, pobre e missionário, siga sendo tua estrada, teu caminho e a tua verdade. E que pelas asas seguras do Divino Espírito Santo, nosso padroeiro alado, sigas com ternura e firmeza o teu destino, a tua vocação, o teu episcopado, o tua consolação e depois de uma vida longa e e feliz, o teu descanso!
Dom José Carlos, ao senhor, o nosso afeto, o nosso carinho e a nossa gratidão! Parabéns e muito obrigado por tudo!
Padre Mauro José Ramos