Anchieta, o Santo missionário de nossas praias

A Igreja sempre nos incentiva a Missão e somos chamados a reconhecer a vida e a dedicação dos nossos missionários.

É necessário fazer memória para inspirar o presente. Queremos então aprofundar a vida daquele que marcou a história do nosso litoral com sua ação missionária. José de Anchieta marcou a história, a educação e a cultura do nosso povo com o qual partilhou sua vida e seus talentos. Incansável, criativo, ousado, profético, polivalente e benfeitor.

Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em San Cristobal de Laguna, Tenerife nas ilhas Canárias, conhecidas hoje pelo vulcão que entrou em erupção. Em 1548 iniciou seus estudos em Coimbra e ingressou na Companhia de Jesus em 1551, recém-fundada por Santo Inácio de Loyola.

Em 8 de maio de 1553 o jovem jesuíta partiu para o Brasil na 3° Expedição de Missionários. Chegou em 13 de julho do mesmo ano em Salvador. Em 5 de maio de 1563 Anchieta chegou a praia de Iperoig em Ubatuba, em companhia do Pe. Manoel da Nobrega, a fim de negociar uma trégua com os índios Tupinambás.

Em Ubatuba ele ficou refém por meses, onde iniciou seu famoso Poema à Virgem com  5732 versos latinos, alguns dos quis tracejados nas areias da praia de Iperoig.

Anchieta nos deixa o legado da missão, somos chamados a continuar a obra iniciado por figuras tão ardorosas, criativas e despojadas.

José de Anchieta, de estatura média, magra, mas forte e decidido no espírito, bronzeado na cor da pele, de olhos azuis, fronte larga, alegre e amável de caráter, passou 44 anos de sua vida percorrendo boa parte do território do Brasil, levando a boa notícia do Evangelho aos indígenas.

É necessário revitalizar a ‘’memória dos missionários’’ na história da nossa igreja.

Temos muito a aprender com Anchieta que fez de sua vida a marca registrada do amor da oração, humildade e serviço. Virtudes, sempre atuais e necessárias para a evangelização.

Foi criticado por fazer muita caridade, mas reconhecido por Pe. Gouveia como ‘’homem fiel, prudente e humilde em Cristo”. Procurado por todos, sabia unir a bondade à severidade e à firmeza.

Anchieta que já deu nome a cidades, ilha, escola, paróquias, rodovias, seminário, escreveu a 1ª gramática tupi-guarani, foi escritor, pregador, poeta, agente de reconciliação, fundador do teatro no país, utilizava a música, a arte, a poesia e a leitura para catequese, foi educador, grande catequista, foi um dos ilustres missionários de nossas terras litorâneas.

Que Anchieta seja inspiração, motivação. As origens do Cristianismo em nosso país passaram pelo nosso litoral, temos um longo caminho pela frente o importante é que sabemos quem deu origem a essa história.

Anchieta, o Apóstolo do Brasil, disse em seu último refúgio em Reritiba, hoje Anchieta, ‘’sinto os índios, mais próximos do que os portugueses, porque é por eles que venho ao Brasil.’’

Somos muito agradecidos pelo Papa Francisco por propor a sua vida e santidade ao mundo inteiro.

O modelo de santidade em José de Anchieta para a nossa Diocese é ocasião para retomar com intensidade a busca daqueles horizontes que foram os de Anchieta e sejam os nossos também.

Ele que encerra que encerrava suas cartas se definindo como ‘’o mínimo’’, o ‘’último’’, o ‘’servo inútil’’ aquele que se humilhou, hoje é reconhecido e exaltado em nossos altares.

Faleceu em 9 de junho cercado pelos indígenas e seu corpo foi transladado para Vitória, capital do Espírito Santo, recebendo o título de ‘’venerável’’ em 1736 pelo Papa Clemente XII, em 2008 Papa João Paulo II proclama Bem-Aventurado e em 2014 o Papa Francisco o declara santo para toda igreja.

Que sua vida e missão nos ajude a continuar a nossa evangelização e frutifique em novos apóstolos e missionários, no litoral de Anchieta hoje, Diocese de Caraguatatuba.

São José de Anchieta, rogai por nós.

Por Pe. Alessandro Coelho

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